Doenças transmitidas por mosquitos e o uso de repelentes

Com a chegada do verão, chegam também as férias escolares e com elas a dúvida: o que fazer com as crianças nesse período? A resposta a essa questão muitas vezes é “viajar”, não é? Nessa época, muda o dia-a-dia, a alimentação e o ambiente da criança. Com isso, surgem alguns riscos de doença. Nesse texto, falarei sobre as doenças transmitidas por mosquitos, comuns no verão, e como preveni-las.

Uma das doenças mais graves e fatais que podem ser transmitidas por mosquitos no mundo é a febre amarela, atualmente presente principalmente em áreas de mata. Para ela, existe uma vacina, que é 100% eficaz, dada gratuitamente pelo SUS a partir dos 9 meses de idade e contraindicada somente para crianças com problemas da imunidade, tais como HIV, câncer ou uso de medicamentos que afetam a imunidade. Mas atenção: a doença não existe em algumas áreas do Brasil e, por isso, a vacina não é oferecida rotineiramente nessas regiões. Fique atento se o seu filho é vacinado ou não, e se precisa ou não ser vacinado conforme o destino da viagem.,

Outro grande problema no que se refere a doenças transmitidas por mosquitos é a dengue. O Brasil passa a cada ano por números recordes nos casos de dengue, e a cada ano o mosquito transmissor, Aedes aegypti, é encontrado em lugares em que antes não atingia. Há registros da doença em todos os estados brasileiros. Além da dengue,
há ainda os novos riscos trazidos pelo mosquito: Chikungunya e Zika Vírus, com suas temidas complicações.

Não é de hoje que sabemos que a melhor forma de combater essas doenças é o controle dos locais em que o mosquito se reproduz. E mais: essa época de calor e chuvas é a mais favorável para que o mosquito se reproduza. Portanto, olho vivo! Vamos lembrar de limpar as calhas das casas, remover garrafas e pneus dos quintais, colocar areia nos pratinhos das plantas, enfim, eliminar tudo que possa juntar água parada.

Outra medida útil de prevenção é impedir a entrada do mosquito em nossas casas. Isto é: a instalação de telas mosquiteiras nas janelas, ou sobre o berço no qual a criança dorme, também é medida importante. O horário de maior atividade do mosquito é a hora do pôr-do-sol e o início da noite, então esse também deve ser o horário de maior cuidado.

Mas com as viagens de verão, seja para a fazenda, para a praia, cachoeira, lago ou qualquer outro lugar, nem sempre as medidas acima são possíveis, não é mesmo? O que fazer então? A resposta está no uso de repelentes. Mas com tantos repelentes disponíveis, qual escolher?

A maioria dos repelentes para inseto disponíveis no Brasil está liberada para uso em crianças a partir de 2 anos. Em crianças menores de 2 anos, o risco do uso de repelentes deve ser avaliado cuidadosamente em conjunto com o seu médico. Na aplicação, sempre devemos ter o cuidado de evitar as áreas próximas aos olhos, boca e nariz. Em crianças jovens, as mãos também devem ser evitadas, pois é frequente que essas crianças levem às mãos até a boca. Além disso, caso sejam aplicados outros cremes e loções em conjunto – por exemplo, protetores solares ou hidratantes –, o repelente sempre deve ser aplicado sempre por último, caso contrário poderá perder a sua eficácia. Existem no mercado repelentes tendo por base as seguintes substâncias:

– Citronella (Repelex citronela®, óleo de citronela e diversas soluções caseiras):
em geral, os repelentes à base dessa planta não são indicados, pois são eficazes por um período de tempo muito curto, somente 20-40 minutos após a aplicação.
– IR3535 (loção antimosquito Johnsons Baby®): é eficaz por cerca de 2h após a aplicação. Indicado para situações em que a exposição ao ar livre será curta.
– DEET (Off®, Repelex®, Xô Insetos®): trata-se da substância repelente mais estudada na medicina, eficaz contra diversos tipos de mosquito, incluindo o Aedes aegypti, o pernilongo comum e o mosquito transmissor da malária, além de carrapatos.
O tempo de ação dependerá da concentração de DEET utilizada no produto. Para a maioria das apresentações, a concentração utilizada varia entre 5 e 15%, o que confere proteção por 2-4 horas. No entanto, existe uma apresentação recém-lançada chamada Off longa duração, que possui DEET numa concentração de 25%, conferindo uma proteção de até 8 horas de duração.
– Icaridina (Exposis®): eficaz contra diversos tipos de mosquito e também carrapatos. Trata-se da substância com maior duração de proteção disponível no Brasil, podendo chegar a até 10 horas. Em geral, é a substância mais recomendada para a prevenção de doenças transmitidas por mosquitos, devido à sua longa proteção.

Vale lembrar que, à exceção da vacina para febre amarela, nenhuma das medidas citadas é 100% eficaz para prevenção dessas doenças. Assim, caso a criança apresente febre, especialmente se associada a dores no corpo, dores de cabeça e manchas no corpo, um médico deverá ser consultado.

Boas férias a todos!

Autor: Dr.Alexandre Paz CRM DF 17099 infectologia pediátrica

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