Crescimento

A avaliação do crescimento está se tornando cada vez mais um importante instrumento para acompanhamento das condições de saúde da criança. (1)

Tanto a avaliação do estado nutricional quanto a do crescimento são feitas por comparação a uma curva de referência.(2) É importante ter em mente que não se faz diagnóstico de problema de crescimento em uma única consulta. O que pode ser constatado, nesse caso, é que o paciente apresenta baixa estatura ou, quando lactente, que tem baixo peso.

Como o ganho em estatura é pequeno, medidas tomadas em curto prazo podem ser mascaradas pelo erro do medidor (quando realizadas por períodos muito curtos). Assim, recomenda-se que medidas de estatura sejam feitas com, pelo menos, três meses de intervalo.

O que realmente aponta para problema de crescimento é a chamada velocidade de crescimento que é aquela altura ganha em determinado intervalo de tempo (3).

A criança cresce em média 25 cm no primeiro ano, sendo 15 cm no primeiro semestre e 10 cm no segundo. Já no segundo ano inteiro, a criança cresce 10 cm, e, a partir dos dois anos de idade, cresce entre 5 e 7 cm por ano até o início da puberdade, quando a velocidade de crescimento torna a aumentar, atingindo um pico médio de velocidade de 9 cm/ano para a menina e 10 cm/ano para o menino. (2,4)

Assim como existe diferença na altura das pessoas em cada idade, também existe diferença no ritmo de crescimento. Isto é, algumas crianças crescem mais depressa, outras mais devagar. A época em que esse aspecto se torna mais nítido é na puberdade.

Outro aspecto importante na avaliação clínica do paciente com queixa de problema de crescimento é a determinação do alvo parental. Este conceito é muito relevante, pois relativiza a altura da criança à altura dos pais. Deve-se medir a altura do pai e da mãe, porque esses dados, quando obtidos por informação da mãe ou do pai, freqüentemente são errados. (4)

Para verificar se uma criança tem um ritmo de crescimento mais rápido (maturador rápido) ou mais lento (maturador lento),  a determinação da maturidade esquelética (ou idade óssea) torna-se necessária.

Obesidade, hipertireoidismo e uso de hormônios sexuais adiantam a idade óssea, mas a maioria das doenças a atrasa. Doenças crônicas (como cardiopatias, nefropatias), desnutrição, deficiência de GH e hipotireoidismo são doenças que podem causar grandes atrasos da idade óssea. (5)

Na atividade clínica, determina-se o número de desvios padrão da idade óssea em relação à idade cronológica, aceitando-se dois anos, para mais ou menos, para se considerar, respectivamente, atraso ou adiantamento da idade óssea. (4)

Muitas das vezes é difícil caracterizar o crescimento como normal ou patológico. Por isso os critérios básicos de identificação de um crescimento anormal devem ser devidamente entendidos pelo pediatra, visto que a baixa estatura, verdadeira ou falsa, é sempre um problema importante.

Vale tambem ressaltar, que antes de encaminhar a criança para uma avaliação endocrinológica, cabe ao pediatra afastar as causas de crescimento atenuado. Apenas 1% das crianças com baixa estatura apresentam doença endócrina, portanto muitas outras causas podem estar associadas ao atraso da velocidade de crescimento e da idade óssea, como as doenças crônicas, desnutrição atual ou pregressa e a privação psicossocial.

Você desconfia que seu filho está com algum problema no crescimento. Marque uma consulta com o pediatra!

Aline Vilela Mees
Pediatra CRM 19172 DF

Bibiliografia

1 Orenstein S. Gastroesophageal Reflux. In: Wyllie R, Hyams J eds. Pediatric Gastrointestinal Disease. 2nd edition. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 199: p 164-187.

2- Nelson SP, Chen EH, Syniar GM, Christoffel KK. Prevalence of symptoms of gastroesophageal reflux during infancy. A pediatric practice-based survey. Pediatric Practice Research Group. Arch Pediatr Adolesc Med. 1997;151:569-72.

3- Vakil N, van Zanten SV, Kahrilas P, Dent J, Jones R; Global Consensus Group. The Montreal definition and classification of gastroesophageal reflux disease: a global evidence-based consensus. Am J Gastroenterol. 2006;101:1900-20

  1. Rudolph CD, Mazur LJ, Liptak GS, Baker RD, Boyle JT, Colletti RB, et al. Guidelines for evaluation and treatment of gastroesophageal reflux in infants and children: recommendations of the North American Society for Pediatric Gastroenterology and Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2001;32 Suppl 2:S1-31.

5- Fiedorek S, Tolia V, Gold BD, Huang B, Stolle J, Lee C, et al. Efficacy and safety of lansoprazole in adolescents with symptomatic erosive and non-erosive gastroesophageal reflux disease. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2005;40:319-27.Autor: Dr.Alexandre Paz CRM DF 17099 infectologia pediátrica

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